segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Mídias de ontem e de hoje despertam a turma

Depois de apresentar as antigas radionovelas e fotonovelas à garotada, Carlos explorou linguagens contemporâneas e mostrou a importância de analisar o mundo do entretenimento de forma crítica.

Passo-a-passo e metodologia

1. A radiolovela vai ao ar

No primeiro semestre de 2004, os alunos trabalharam com o rádio. Carlos apresentou a eles um roteiro detalhado de cada etapa do projeto e mostrou as quatro funções básicas em radionovela: dirigir, atuar, escrever e sonorizar. Cada um escolheu a que gostaria de desempenhar. Todos os grupos deveriam ter pessoas exercendo as quatro atividades. Os estudantes leram textos sobre o rádio no Brasil e no mundo e sobre o apogeu de seus programas. Depois, entrevistaram pais e avós para avaliar o impacto do rádio na vida das pessoas. Para aprender as características da linguagem radiofônica, a turma ouviu trechos de novelas, como O Direito de Nascer; de humorísticos, como Balança Mas Não Cai; e de spots publicitários. Os alunos, então, leram o roteiro de uma radionovela e assistiram a um vídeo que mostra a interpretação dos atores. Por fim, cada um preparou para a aula seguinte o próprio roteiro (tarefa que envolveu o professor de Língua Portuguesa). Além de bolar a história, a turma também se encarregou de criar o nome da emissora e anúncios fictícios.

Com o roteiro pronto, os alunos cuidaram da sonoplastia: trouxeram instrumentos musicais, baixaram músicas e sons da internet e captaram ruídos com um gravador. Depois, registraram em áudio os ensaios, para se familiarizar com os aparelhos sonoros e para poder ouvir os programas e corrigir as falhas. Todo o trabalho foi desenvolvido em parceria com a professora de Artes Cênicas, Sandra Arouca. Na hora de realizar a gravação final, todos capricharam na entonação da voz e abusaram dos recursos disponíveis.

2. Luz, câmera e... foto!

No segundo semestre, o tema foi a fotonovela. Os alunos leram sobre o gênero e compararam revistas da década de 1970 com as histórias em quadrinhos atuais e da época. Assim, aprenderam os conceitos de diagramação, plano e enquadramento. Carlos então explicou o que é um storyboard (seqüência ilustrada que mostra as cenas de um filme ou de uma peça publicitária). Para que os estudantes entendessem os recursos visuais, ele pediu que transformassem o roteiro de uma história em quadrinhos em desenhos e vice-versa.

Em seguida, Carlos exibiu o filme alemão O Gabinete do Dr. Caligari, de 1919. A turma comparou a dramatização e a cenografia com a produção de pintores expressionistas. Depois, ele forneceu aos estudantes fotocópias com a figura do vampiro Nosferatu (personagem-título do filme expressionista alemão de F.W. Murnau). Eles recortaram as cópias, colaram-nas no papel e criaram para o personagem um cenário expressionista. Os grupos partiram então para a elaboração dos próprios roteiros e storyboards. Terminada essa etapa, a garotada começou a caracterização dos personagens. Eram velhinhas, gângsteres, casais de noivos e mortos-vivos pelos corredores, enquanto as câmeras digitais registravam as cenas interpretadas e posadas com todo cuidado - mais uma vez a professora de Artes Cênicas entrava em ação.

Na etapa final, os jovens imprimiram as fotos, recortaram as imagens e, depois de colar tudo no papel, criaram os cenários. Para isso, usaram materiais como tinta, giz, lápis de cor e revistas para colagem. Na sala de informática, eles digitaram e imprimiram as falas dos personagens para serem coladas nos balões. A turma gravou em CD as radionovelas e as fotonovelas e, no ano seguinte, participou da festa de lançamento dos materiais. Na ocasião, todos os alunos receberam um CD com a produção dos colegas.

Fonte: http://revistaescola.abril.com.br/edicoes/0190/aberto/mt_121378.shtml

Um comentário:

Lucélia disse...

Usando o Audacity ainda podemos criar radionovelas que são excelentes para desenvolver a criatividade dos alunos.